quarta-feira, maio 02, 2007

ESPEREMOS PELA PRÓXIMA MORTE

A violência é uma questão social. Talvez a mais difícil de todas as questões a que a sociedade é colocada. Não saber responder com uma solução prática esse problema é um dilema que o passar dos anos não conseguiu equacionar.
Imerso em um planeta banhado pela desigualdade, desde a colocação das cercas limitando às propriedades privadas, o homem se sente ameaçado. Perder aquilo que tem ou conseguir algo que não possuí são variáveis que ajudam a entender o abismo que é colocado ante os desiguais. O homem rouba e mata para conseguir o que não tem e também é capaz de matar para defender aquilo que conseguiu.
Pedras, lanças, armadilhas, cordas, espadas. Primeiras tentativas de proteção contra a inveja, contra a comparação, contra a ganância, contra o outro. No princípio, a proteção justifica o ato. Aldeias eram defendidas contra os ataques das aldeias maiores. O homem primitivo lutava contra seus iguais pela sobrevivência. Morria um a um. Homem matava homem. Guerras surgiram para mostrar o mais forte a todos os outros. Ataques se justificavam com a conquista. Mortes eram necessárias para montar um império. Expandir o próprio território em determinado momento da história passou a ser necessário por causa de um agravante inerente ao ser humano – o poder.
O mundo evoluiu com o tempo. Espadas ficaram no passado e ilustravam os livros mostrando os métodos primitivos dos antepassados. No lugar de tais artefatos, a pólvora surge e alavanca um imenso leque de possibilidades de destruição e morte. As aldeias depois de conquistadas e reconquistadas transformaram-se em impérios; esses deram luz às divisões cartográficas que conhecemos hoje – os países. Novas guerras fulguraram o mundo. Novas mortes, novos massacres. Enquanto isso, nos pormenores e não por isso menos importantes, as atrocidades regionais – roubos, assassinatos, seqüestros e todo o tipo de angústia e crueldade que o ser humano é capaz de inferir ao seu próximo.
A violência evoluiu. A busca por mais poder passou a ser a regra condutora. Poder gera violência. Poder destrói.
A quantidade de mortes anunciadas todos os dias por todos os jornais do planeta serve apenas como registro de um mundo que incorporou em sua rotina esse problema insolúvel. A violência é imbatível, é angustiante. Corrompe o fraco para engrandecer o mais forte. Desequilibra aquilo que nunca foi igual. Mancha de sangue cada ciclo da história, contando em capítulos o quão monstruoso e cruel tornou-se o mundo.
Crianças morrem e matam, dia após dia Mulheres são espancadas. Homens são torturados. Crimes e chacinas varrem o planeta. É impossível mensurar quantos morrem a cada minuto de morte não natural. As balas, chamadas de perdidas, foram disparadas com algum motivo e cada alvo almejado no fim das contas foi o correto, a própria sociedade. Quando cada tiro, disparo, facada, míssel ou qualquer outro mecanismo contra a vida é acionado, ao completar seu trajeto, marcará mais um ponto negativo nessa escalada infindável que a violência percorre. A população é refém daquilo que gerou e abastece. A violência não poupa ninguém, independente de classes sociais.
O horror que estampa a cara dos aflitos não é capaz de mudar o todo. A indignação nunca foi o bastante. É mais fácil esquecer o que aconteceu ontem que pensar em uma solução para o amanhã. Um grito de basta precisaria ser ecoado pela maioria. Enquanto isso não ocorre, esperamos pela próxima morte.

terça-feira, abril 10, 2007

Transcender a cronologia

O TEXTO ABAIXO É BASEADO EM OUTROS ARTIGOS DE MINHA AUTORIA.

No decorrer dos anos, as diferentes escolas artísticas construíram de maneira linear um novo jeito de se contar o mundo. A arte criou, a arte construiu e a arte imitou. Artistas e autores especializaram-se em categorias, criaram clássicos que encantam pessoas através dos anos. Mundos foram idealizados, personagens imaginados, cenários registrados, manifestações imortalizadas e dessa maneira, uma legião de sonhadores vivenciaram e transmitiram suas emoções às gerações seguintes. Filhos passaram aos netos e assim por diante.
O artista, na acepção da palavra, é um cidadão do mundo, um homem de seu tempo, mas, com a capacidade inata de transcender a cronologia. Para tanto, sua obra deve ser exposta, exibida, mostrada ao mundo em sua forma mais singular, como arte. Mas, a inquietude e o medo impostos em cada ciclo de gerações construíram barreiras das mais complicadas aos artistas e estas tiveram que ser superadas uma a uma ao longo da história.
No Brasil, nos tempos da caloria ditatorial, as pessoas cantavam "Aqui na terra estão jogando o futebol..." e continuam, pois o que mais interessa ao jovem de hoje é o placar reluzente informando a vitória do time de coração e a metáfora embutida na letra de nosso caro amigo Chico perdeu-se. Isso ocorre, pois é passado o tempo da indignação. A revolta resultante da censura não existe mais. Estudantes não vão mais às ruas apoiar o que acham correto, tampouco de caras pintadas pedindo explicações. Os tempos são outros. Estamos na era individual, onde os rebeldes não têm mais lugar em nossa sociedade. Mas, a obra de arte, a letra que foi cantada por toda uma geração permanece presente nos dias de hoje e, provavelmente, permanecerá para os próximos que ainda virão.
Não importa o caminho, o material, a construção, o tempo que levou para ser concluída, arte é expressão e toda expressão que consegue transpor os limites do cenário o qual ela foi concebida, ultrapassa também as linhas do tempo e finca um marco no calendário presente para ser consultada num futuro qualquer. Poesia, pintura, música, literatura, dança, escultura e todas as outras formas que o vocábulo arte permite expressar-se colocam o autor em sua evidência particular para uma evidência histórica à posteriori.
A história pessoal de cada um pode ser contada também pela arte que consumiu ao longo de sua vida. O ser humano, ao deixar o mundo, terá consigo uma seqüência de obras vistas e vividas diferente de todas as outras pessoas.
Único.

quinta-feira, abril 05, 2007

Se a matemática explicasse...

A falta de um parâmetro específico de mensuração faz do homem um ser conflitante e com isso suas idéias e anseios são movidos pela emoção ou pela razão. Aqueles que, supostamente, agem sem interferência externa, usando apenas sua lógica própria de escolha, são pessoas privilegiadas.
Em um mundo onde os quesitos e parâmetros aceitos são ditados por poucos, o homem com seu eterno dilema que o leva sempre a buscar algo, muitas vezes inacessível, sofre e se desgasta como indivíduo.
Agora pergunto: Onde fica a evolução nesse caso?
Do outro lado do espelho onde a razão se enxerga, a imagem da emoção se distorce e pede para ser aceita. Viver um mundo concreto, analisando os fatos de maneira específica e matemática, criticar e calcular as possibilidades encontradas sem ao menos cogitar a possibilidade do risco não é inerente à maioria dos seres humanos. O homem sente, busca, quer, deseja, sonha. Vive a própria emoção de maneira intensa. Luta contra fortes e fracos. Luta contra si mesmo. A épica batalha da razão x emoção não tem data marcada para terminar pois isso não vai ocorrer. A interpretação dos valores é movida por essas duas constantes que sempre existirão dentro de cada um.

terça-feira, março 13, 2007

A sociedade está doente

Em tempos de tantos problemas, os questionamentos da sociedade apontam para os mais diversos lados. Fatores sociais, climáticos, civis. Problemas de violência que se alastraram como pandemia dos grandes centros para o interior. Problemas e mais problemas que vem sendo estudados com soluções em longo prazo. Acontece que em longo prazo, novas dificuldades surgem para alinhar-se as primeiras fazendo com que a cada dia passado, o planeta tenha novos obstáculos a serem superados.
O grande desafio do mundo contemporâneo é o desenvolvimento sustentável. De que forma é possível transformar conhecimento em riqueza sem que necessariamente essa prática agrave as mazelas do mundo? Como transformar conhecimento em qualidade de vida para dessa forma atender as necessidades crescentes da população e preservar ao mesmo tempo a qualidade de vida do planeta? Questionamentos difíceis de obter-se respostas práticas.
A cada dia o mundo padece mais. Um passo de avanço tecnológico implica diretamente dois passos contrários na qualidade de vida do planeta. Não deveria ser o contrário? Boa pergunta.
A corrida tecnológica, que teve seu início décadas atrás, motivou o surgimento de novas potências, que correm nas linhas do capitalismo dinâmico onde o estático, definha. A lógica da produção cria paradoxos insolúveis para a sociedade. Produzir riqueza gera pobreza. Produzir tecnologia gera poluição. Hoje, a defesa de um país dá-se atacando aos demais. A repressão da violência gera todos os dias mais casos de violência. Vivemos em uma sociedade transformada pelo caos. O caos da inversão de valores. Matamos para sobreviver e não para nos proteger. Produzimos para concorrer e não para suprir. Estudamos para enriquecer e não para servir.
Os constantes avanços da ciência, relatados euforicamente à sociedade, sugerem uma profunda reflexão: Como agregar valor ao conhecimento sem que esse valor beneficie um e sim a totalidade?
O planeta está em risco. A sociedade está em risco. As alterações climáticas provam com toda a força que nosso ambiente foi transformado. O ano de 2007 foi o que menos apresentou neve, desde 1977, no inverno europeu. No Brasil, a qualidade de nosso ar nunca esteve tão comprometida. A umidade relativa nunca esteve tão baixa. Pagamos com nossa saúde pelos nossos próprios erros e por nossa total falta de iniciativa. Somos culpados por essas inversões. Estamos colhendo os piores frutos da pior colheita de todos os tempos. Os sinais são claros e a preocupação pouca.
Toda uma geração está vivenciando os sinais óbvios daquilo que não está certo. As próximas gerações pagarão por nossos erros, se esses não forem corrigidos a tempo. O futuro promissor da humanidade esbarra na negligência de toda a sociedade. Chegamos no ponto onde viver mais significa presenciar mais problemas e viver menos significa ser índice de mensuração desses mesmos problemas. Estamos matando, destruindo e acabando com tudo aquilo que vale a pena.
O planeta está doente, pois a sociedade está doente. O que falta ser noticiado para que os valores se invertam para suas posições originais? Preservar o presente para ter um futuro é uma máxima que parece ter perdido o sentido.

terça-feira, março 06, 2007

Um mundo sem escolhas

Meu avô é palmeirense.
Meu pai é português.
Eu sou universitário.
Três gerações ligadas por três quesitos diferentes. O time de coração, a nacionalidade e a situação acadêmica. É claro que eu posso escolher várias classificações que nos enquadrem, todos, no mesmo conjunto. Mas, não é minha intenção. Quero discutir as diferenças e não os laços. Existe beleza na escolha.
Todo dia, ao acordar, escolhemos o que fazer. É sempre uma escolha. Uma escolha de vida ou uma escolha para viver. Saímos de casa para nossos empregos, nossas aulas, nossos assuntos particulares, nossas reuniões, nosso lazer, nossa vida.
De carro, de ônibus ou caminhando, somos guiados ou nos guiamos até nossos destinos. Seguimos uma rotina. Criamos e obedecemos a ela. Desde os primeiros afazeres do dia, por mais simples que sejam, seguimos uma escolha. Comprar pão na padaria, levar o cachorro para passear, recolher o jornal, escovar os dentes, botar o lixo pra fora, fazer uma caminhada, ligar a TV. Cada um é completamente diferente do outro. Muitos fazem o que gostam. Outros tantos fazem o que precisam.
Contrariamos o livre arbítrio na hora que somos condicionados. Trabalhamos naquilo que não gostamos para pagar nossas despesas. Estudamos o que não temos vocação em busca de um ideal de vida. Torcemos por futebol para espelhar as conquistas e derrotas em nosso cotidiano. Assistimos às novelas em busca de uma realização apenas visual. Acompanhamos a vida fictícia de outros, pois procuramos escapes para as nossas vidas. O mundo é visual. Visual é aparente.
Os publicitários nos vendem sonhos. Vendem modelos. Vendem produtos que muitas vezes ficam bem nos modelos e não ficam bem na maioria da população. Somos enganados, ou melhor, somos direcionados. Escolhemos o que vestir, o que calçar, o carro que vamos comprar, a bebida e a comida que vamos consumir pela escolha de outros. Em todos os momentos de nossos dias, ficamos expostos à exaustiva tentativa dos vendedores de ilusão.
Escolhemos nosso time de futebol, como meu avô o fez. Meu pai não pôde escolher o país onde nasceu. Escolhi fazer universidade, pois um dia acreditei que isso seria bom para meu futuro. Temos o poder de escolher. Podemos ser bons filhos, bons chefes de família, bons funcionários, bons torcedores. Outras escolhas são mais difíceis de fazer, pois todo um universo parece conspirar na hora de nossa opção.
Não desejamos um objeto por ele ser em si desejável, mas sim por ele ser desejado por alguém. Gastamos nosso dinheiro para comprar algo que serviria melhor em outra pessoa. Vivemos a sociedade do ter para ser. Do comprar para ser aceito. Da renúncia das escolhas. Cedemos nosso direito do inédito e individual pelo em série, pelo coletivo. Compramos para sermos mais um e não para sermos diferentes. O coletivo está transformando-se em padrão.
O mundo atual, com suas rivalidades implícitas, transformou-se em um grande palco controlado. A população ocupa o cargo de marionetes do sistema que é regido pelas grandes corporações. Vivemos hoje uma situação inversa que ocorria nos tempos de ditadura. O clamor pela liberdade de escolha transformou-se passivamente em escolhas cedidas e aceitas. Compramos o que nos oferecem. Ao menos o meu time de coração eu ainda pude escolher. É o mesmo de meu avô.

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Oscar, mega sena e futebol


Em tempos de vida comum, em mais um ano começado fora do tempo real, o carnaval ficou para trás.
Plumas e serpentinas varridas dos salões. Fantasias e alegorias desmontadas. As avenidas do samba voltaram a ser o que eram. Apenas avenidas.
O ano começou de fato. Ao menos para a maioria dos brasileiros que não participam do Big Brother Brasil. Um show de notícias nos comprova isso.
As contas e impostos de boas festas devem ou deveriam estar pagas. O presidente continua sua reflexão a respeito de sua nova equipe. Os aeroportos continuam com problemas. Na Inglaterra o príncipe vai à guerra. E nos Estados Unidos, Britney Spears apareceu com um novo corte de cabelos, ou melhor, sem cabelos.
Tudo é notícia. Nova ou velha. Diria reciclada. A notícia quase sempre é reciclada.
Todos os problemas do mundo não conseguem ofuscar o oscar 2007. Não seria justo tirar o momento de glória máxima da vida de Scorsese, que recebeu sua primeira estatueta depois de sete indicações. Foi justo? Não me interessa.
A mega sena vive acumulando. Acumulando sonhos e mais sonhos de milhares de brasileiros que trocam o pão com manteiga da manhã pelo bilhete que leva ao sonho. Qual sonho? Riqueza, poder, popularidade. Ser o rosto que aparece nas páginas da revista Caras. Ser diferente daquilo que somos. Comprar aquilo que precisamos apenas para mostrar aos outros. O mundo está diferente.
Vivemos em um mar de informação. Recebemos todos os dias uma imensidão de imagens, textos, relatos, depoimentos, estatísticas, anúncios e tudo mais que venha pelo canal transmissor – receptor. Não estou bem certo do quanto à maioria da população absorve disso tudo. Não sei também o quanto somos educados pela informação. O ciclo é envolvente. A cadeia começa desde cedo.
Os jovens prestaram vestibular. Escolheram uma carreira folheando um manual. Estudaram ao longo de um ano inteiro para receber as cores da guachê vitoriosa sobre a face. Brindaram e beberam a primeira semana de aula. Já passou. Agora é realidade. Aulas e mais aulas de matérias que irão por à prova à verdadeira aptidão de cada um. Os bons decerto vencerão.
Depois de vencido algo na vida, seja uma graduação em uma boa universidade, um prêmio no oscar ou acertar os números da loteria, o que acontece depois? Dinheiro, fama, realização. O que é verdadeiramente importante. Cada um com sua resposta.
A sorte do brasileiro é que existe futebol. Campeonatos regionais, estaduais, das mais variadas divisões. Campeonato nacional e copas internacionais. A seleção também sempre joga. Em dias certos, dias estudados, dias pensados. Como se fosse um calmante fortíssimo que deve ser ministrado apenas com receita e em determinados casos. O caso é sempre o mesmo e os problemas não estão sendo curados.
O Brasil é um país bom porque existe bom futebol. Ainda é válida essa máxima?
Os Estados Unidos ainda são aplaudidos por causa do oscar? O oscar continua sendo uma grande premiação ou virou apenas, uma festa?
O mundo está evoluindo ou regredindo? Vejo as pessoas cada vez mais preocupadas com conquistas pessoais do que com o conjunto da obra. Salvo às exceções.
Existem milhares de exceções.
Poderiam ser milhões.

sábado, janeiro 06, 2007

Chuva de Janeiro

O ano já é outro. O dígito mudou. Ao invés do número seis, usaremos agora o sete para preenchermos a lacuna das folhas de cheque. Somamos a este novo ano a esperança de toda uma população por dias melhores. Dias mais justos. Dias de paz.
Um ano que começa tem a particularidade de ser detentor de qualquer assunto. É um ano em branco. Um ano a ser escrito. Por esse motivo, não vale a pena sujá-lo fazendo referências às coisas ruins que estragaram parte do brilho de 2006.
Falar de política nesse primeiro momento é o mesmo que praguejar o ano novo que não tem culpa e relembrar do ano que deve ser esquecido ou ao menos deixado pra trás quando o assunto é corrupção. Boas aspirações são sempre bem-vindas e de minha parte, como brasileiro crente e esperançoso, desejo ao presidente que foi empossado no dia primeiro desse ano, mais uma vez comandante máximo da nação – Sorte e bom senso.
Com um ano inteiro pela frente, o leque de papel que vejo abaixo das linhas que agora escrevo são puros. Decidi deixar tudo de ruim no passado, escolhi não escrever mais sobre aquilo que já foi massacrado por tantos, inclusive por mim. Minha escolha é pelo novo, pelo inédito, pelos bons fluídos, pela esperança de um novo Brasil, pela crença em justiça e igualdade. Escrevo para celebrar e almejar. Já é passada a hora de lamentar.
Ligamos a TV em janeiro e sempre vemos a mesma coisa. Vinhetas guiando a chegada ainda discreta do carnaval. Propagandas de novos seriados. Novas mega-produções televisivas abordando um novo ponto de nossa história, sempre tão mal estudada por nossos alunos. Chamadas para o novo – tão velho e batido – reality-show. Preparativos dos times de futebol para os tão disputados e aguardados campeonatos regionais. Incentivos e receitas a todos aqueles que querem uma vida nova, dentro de um novo ano. Filmes repetidos. Promessas fracassadas que de tão veiculadas fazem parte de nossa cultura. O ano novo parece-me velho. Só parece.
As tardes de janeiro são diferentes. Passam de forma desigual. Pedem chuva para marcá-las como únicas. Chove todo dia. Chove muito. Chove por muitos motivos e um deles é o de mostrar a falta de preparos da administração pública para com a cidade. A chuva de janeiro serve para mostrar a falta de qualidade do asfalto eleitoreiro. Serve para mostrar o quão sofrido pode ser um começo de ano para uma família que mora em lugares impróprios. A chuva forte cai para limpar o ranço do ano que se passou e deixar uma enxurrada de problemas que já foram pautados há tantos anos atrás.
Ano novo. Velhos problemas. Eternos dilemas. Lamentar não é correto. O correto é trabalhar. Que a energia celebrada nos primeiros minutos de 2007 sirva ao menos como estopim de incentivo para um ano diferente. Sejais vós políticos e administradores públicos, carregados pelo remorso transmitido pelos seus iguais, diferentes este ano. Façam o que lhes cabem. Governem para aqueles que os elegeram. Trabalhem e levem a sério o cargo que ocupam. Façam o mesmo que gostariam que fizessem aos seus filhos.
Bom ano. Boa administração. Boa sorte.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Bons tempos não existem mais

É passado o tempo da indignação. A revolta resultante da censura não existe mais. Estudantes não vão mais às ruas apoiar o que acham correto, tampouco de caras pintadas pedindo explicações. Os tempos são outros. Estamos na era individual, onde os rebeldes não têm mais lugar em nossa sociedade.
Iniciar um texto dessa forma mostra bem o quão incrédulo estou com o sistema. Em um passado muito recente, o sentimento apaixonado e patriótico inflamado pela repudia a ditadura fez história. Páginas de livros contam o quão importantes foram os estudantes e quantos feitos foram realizados para mostrar toda a aversão contra a injustiça.
Hoje, ao abrir um jornal, qualquer que seja ele, é difícil encontrar uma nota que seja retratando alguma inquietude. No mais calórico dos atos, estudantes indignados com o aumento do preço das passagens de ônibus, voltam às ruas e pedem por aquilo que é de direito. Onde está o problema? Ao meu ver, está na cumplicidade que já não existe. Os pais de hoje, estudantes de ontem, lembram bem dos anos difíceis que viveram e sabem contar como mais ninguém a vergonha daqueles tempos. Os quilômetros de letras de música que foram escritas pelas mais diversos artistas, censuradas e boicotadas pela inquisição brasileira, são memórias de um tempo difícil e hoje ao cantá-las, os jovens não conseguem a sintonia que foi esquecida pelo comodismo.
“Aqui na terra estão jogando o futebol...” e continuam, pois o que mais interessa ao jovem de hoje é o placar reluzente informando a vitória do time de coração e a metáfora embutida na letra de nosso caro amigo Chico perdeu-se. Todo o processo que o país atravessou para enfim ter direito ao voto tem um valor acima daquilo que é estudado para as provas de vestibular. Os discursos inflamados de estudantes e políticos que tinham um sonho comum, evocados em palanques gigantescos ecoaram por todo o território em um grito comum – Diretas Já. As diferenças vieram com o passar dos anos, mas o prazer supremo retratado dentro do ser de todos aqueles que contribuíram de alguma forma para um Brasil mais justo é lembrança eterna, que debate algum será capaz de apagar.
Um comercial televisivo me fez pensar em algo que realmente faz sentido. No decorrer da performance cibernética da computação gráfica, um andróide ensina a forma de alcançar a eternidade – Basta fazer uma coisa notável para que você seja para sempre lembrado. É algo a se pensar. Foi, é e continua sendo um dos maiores temores do homem a morte ou ainda pior, o esquecimento após a morte. Estou divagando a respeito de um comercial, mas garanto que minha intenção não é a de fugir do tema. Pelo contrário. A intenção é a de marcar a ferro uma verdade incomoda que percebo nessa nova geração – o comodismo causado por essa falsa liberdade. Talvez Sartre, caso ainda fosse vivo, seria o melhor indicado para discursar a respeito dessa liberdade manipulada que nossa sociedade vive mergulhada. Uma liberdade guiada por programas de TV, por falsas notícias, por uma educação média, por políticos sem ideologia e pior, por desinteresse total norteado pela falta de fé.
Os Anos Dourados não podem ficar no passado dos livros. As grandes causas não podem ser atribuídas somente ao governo. Os sonhos deveriam voltar. O amor pelo país precisa transcender o orgulho esportivo. O interesse pela política nacional nunca deveria ter sido perdido e se foi um dia, está mais que na hora de ser resgatado.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Um Brasil sem caráter

A experiência que tivemos sobre os acontecimentos que entorpeceram o país nos últimos meses, serviu apenas para concretizar a idéia de que o Brasil não é um lugar sério. Não só pelo ineditismo nacional que rege o não banimento da corrupção deslavada, como pelos problemas que suscitarão pela falta de punição.
Parecia-me evidente a necessidade de um basta após tantas denúncias. Não aconteceu. A troca de acusações mostrou-se tão arcaica, quanto os mecanismos de busca usados nas comissões de inquérito. Perguntou-se de tudo lá. Sigilos bancários e telefônicos foram quebrados após muita controvérsia e o apurado mostrou-se como sempre insuficiente. Pois, se depois de tudo aquilo o que foi provado, um novo problema deveria surgir para atormentar as autoridades. A falta de vagas na cadeia para colocar tanta gente.
As punições abrandadas serviram apenas para solidificar uma certeza que reinou sempre dentro das cabeças dos políticos: Brasileiro perdoa, sempre.
A sorte que os políticos tem, para o nosso azar, é que nesse país, qualquer um pode falar à asneira que bem entender, sem o menor critério ou apuração que vai ser levado em conta sem estar sujeito ao confronto de opinião. Pode prometer que pobre ficará rico, pode prometer o fim da seca do nordeste, prometer escola para todos, saúde de primeiro mundo regada ao bom atendimento. Pode prometer. Ninguém questionará. Brasileiro acredita, sempre.
É muito fácil gabar-se do fato de que o risco Brasil caiu. Caiu sim, mas pelo fato do país ter honrado seus compromissos externos. O ponto é que antes, quando a situação atual era oposição, o discurso inflamado por calote reinava soberano nas promessas de campanha. Hoje, em cargo assumido, ninguém tem coragem de admitir a bobagem que antes prometera. Não é mais preciso. O pior desonesto, ao meu ver, não é aquele que fez diferente do que prometeu e sim aquele que faz diferente e não assume seus atos.
Desviando o tema para longe da corrupção, pois ainda considero prioridade a manutenção do caráter intacto para assumir qualquer cargo público, pergunto a todos: O que seria justo e correto prometer à população nessa campanha? Minha resposta que divergirá de muitas é: Prometer uma administração que viabilize a volta do respeito para o país e assumir total comprometimento com os interesses nacionais, colocando sempre o Brasil acima do partido.
Acredito piamente na população nacional. Da mesma forma que acredito que muita gente de boa fé está sendo enganada. Qualquer pessoa medianamente informada, enxerga as entrelinhas dos discursos de campanha e distingue as verdades dos absurdos. Falsas acusações e boatarias servem como mecanismo de alienação. Apostar o mais alto que puder é a lei que rege esse sistema vigente que trabalha incansavelmente para a sua manutenção no poder. Sem regras ou escrúpulos, o vale tudo da política nacional destrói os argumentos da população com falsas verdades. O simbolismo do respeito à instituição e à população não existe mais. Aquilo que governa o país e conduz o Estado chama-se impunidade.
Não interessa de onde veio o dinheiro sujo. Basta saber que é sujo e disso ninguém duvida.
O que deve ser feito é concretizar as palavras desse presidente que repete sem distorções da fala que encontrados os culpados, estes serão punidos. Meu conselho é: Seja feita a Vossa vontade e apresente-se a polícia, digníssimo Presidente.

Divagando


Uma manhã ele acordou e resolveu ser mais feliz.

Decidiu procurar pelas coisas boas que ele sabia que estavam dentro dele.
Nada pode ser melhor que um dia após o outro. Se isso foi uma constatação, ele estava certo.
Para acreditar que tudo vai melhorar é preciso de uma prova, mas, na falta de uma, a experiência vivida passa a ser válida. Se a introspecção fosse uma forma de sentir o mundo, ao sair desse estado seria possível entender melhor a realidade, ou parte dela.
Coisas boas.
Julgamento de valores não cataloga o que sentimos. Os sentimentos agem diferente em cada pessoa e, assim sendo, “acreditar em que?”, passa a ser a melhor das perguntas. Há quem diga que a inteligência nos faz sermos capazes de enxergarmos de maneira imparcial e para isso, o caminho mais lógico seria a formação. Mas, em quê?
Quando procuramos aprender mais sobre algo, devemos ter em mente a finalidade de tal. Conseguimos? Nem sempre e, nesse ponto entra o conceito – VOCAÇÃO. Isso não vem marcado a ferro em pelo ao nascermos. Pois deveria! Ao menos a mais difícil das questões que pode ser feita em vida nunca seria mencionada: PRA QUE EU SIRVO?

Nada à priori.

Cultuando o Acaso


Uma velha idéia que durante muito tempo regeu minha vida, voltou. Contruir em palavras um tom explicativo para a vida, contado em capítulos, que juntos um dia transformariam-se em um livro. A base da idéia sempre tive. O que falta para a realização desse projeto? Confesso para todos. Nada.
Apresento-lhes agora a introdução.
__________________________________________
Quando se tem muito tempo disponível para fazer tudo aquilo que tem vontade, você acaba usando muito desse tempo para pensar naquilo que vai fazer. O engraçado é que consigo passar horas e horas pensando em nada, o que eu chamo de Cultuar o Acaso, sempre dando como desculpa o fato de estar vivendo um momento de introspecção de minha vida. Dar desculpa nem é necessário pra dizer bem a verdade, já que quando atingimos uma certa idade, nos preocupamos menos em agradar ao próximo do que a nós mesmos.

Pensar em nada pode se tornar perigoso, pois como dizem "cabeça vazia oficina do diabo". Em contrapartida, pode ser criativo, lado este que prefiro seguir, pois considero o fato de que existam cabeças extremamente brilhantes, que cultuam o acaso, desestimuladas com a vida ou com uma parte dela.

Não colocarei conteúdo algum no primeiro capítulo deste livro, como você leitor poderá perceber ao avançar um pouco mais na leitura. Esta decisão não é nenhuma artimanha de marketing, tampouco uma atitude de revolta de minha parte para com o número um. O fato de eu não colocar palavra alguma no primeiro capítulo, foi à maneira que encontrei para ressaltar o quão vago pretendo que seja o livro.

A partir do segundo capítulo do livro, Te convido a se aventurar com a personagem principal da história – Poe, um menino curioso que se sujeitou a fazer uma viagem no interior da mente humana, explorando o lado vazio.
Poe não existe, foi criado para ilustrar a história. Como criador, dou-me o direito de equipar minha criação da forma que eu achar melhor.

Crente que meu personagem não será questionado, começo agora a falar um pouco sobre ele. Poe têm hiperatividade, é observador e tem personalidade forte. Gosta de todos até que alguém o prove o contrário. Prefere ouvir uma música que goste muito várias vezes do que ouvir uma coletânea que não lhe agrade tanto. Ele não é feliz e não é triste. Poe é de fases, de momentos, vivendo sempre o hoje intensamente. Não faz plano, mas tem sonhos. Ama o amor, sempre procurando um amado.Poe gosta de sua vida, mas fica extremamente inquieto quando observa o mundo à sua volta.Este é Poe, que foi escolhido aleatoriamente levando em conta apenas seu grande interesse a respeito do mundo e das coisas, qualidade que admiro.

Faltou dizer o porquê de Poe ter aceito meu convite e participar desta experiência. Não foi por dinheiro, pois dinheiro eu não tenho. Nem por nenhuma razão científica, pois o que escrevo e o que pretendo escrever não tem nenhum amparo na ciência. Tampouco foi pela sua curiosidade, pois Poe privilegia a sua liberdade de escolha para explorar aquilo que quiser. Falei a palavra "liberdade" e foi esta a chave do convite. Poe poderá vasculhar, remexer e questionar tudo aquilo que tiver vontade e gostou disso.
Todos de alguma forma buscam a liberdade, seja ela qual for, financeira, afetiva, intelectual ou de expressão. Poe gostou da idéia de agir sem censura na cabeça de uma outra pessoa, questionando o mundo seguindo a visão dos outros, avaliando e comentando como quiser, tendo sempre como principal objetivo explorar o vago.

A falta de uma explicação nesse momento, talvez deixasse você com dúvidas a respeito daquilo que será o foco principal do livro. O que quero dizer com explorar o vago? Temos o intuito, (digo agora "temos", pois já considero Poe integrado à história) de tentar entender os pequenos gestos, as simples ações que estão por trás das coisas cotidianas das pessoas. Porque as pessoas estudam? Porque as pessoas trabalham? Porque as pessoas se relacionam?

Podemos encontrar milhares de respostas para estas perguntas, mas nunca uma só para cada. Poe tentará encontrar a melhor resposta ou a que valha mais a pena, ou simplesmente mergulhar neste mar de possibilidades validando todas elas.
Ninguém sabe ao certo o que existe de melhor na vida. As pessoas acham que sabem o que é melhor para elas e se empenham nisso. Outras não. E são estas, que não agem da forma esperada e não pensam apenas naquilo que já foi pensado, que são o foco de nossa busca. Sabendo disso, Poe começará suas observações e analisará de sua maneira tudo que achar interessante.

Ele terá um amplo espaço para suas reflexões e se divertirá com isso, já que se baseará somente no que acha para elogiar ou criticar. Poderá conversar com as pessoas para saber sua opinião, ou simplesmente penetrar na sua cabeça e enxergar o que elas vêem interpretando de seu modo. É este todo o poder que dou a Poe, seguro que ele fará de tudo para entender o que não costuma ser entendido.

Isso é o que pretendo explorar, não sabendo ao certo onde Poe vai chegar. Convido agora você leitor, a descobrir o que segue nas próximas páginas, não prometendo nem ao menos o final. Por este motivo não dedico este livro a ninguém.

Valerá a pena? Talvez.

domingo, outubro 08, 2006

Fugindo da responsabilidade

Quantas vezes em nossas vidas já não nos imaginamos indestrutíveis?
Pergunta inoportuna que pode levar a um questionamento desnecessário. Então, porquê fazê-la? Na maioria das vezes quando me pedem uma explicação eu faço sem hesitar. Hoje, como o tom foi dado por mim, explico-me sem pedidos.
Inúmeras oportunidades do cotidiano poderiam ter sido menos agressivas do que de fato foram. Situações colocadas sem cabimento, muitas vezes mostraram-se absurdas. Outras tantas vezes não.
A intenção não é a de criar um texto introspectivo, não é minha finalidade e provarei com mais algumas linhas.
Cargos, hierarquias, ambições e fulminantemente, o poder, são degraus perigosíssimos que mudam a essência do ser humano. Maquiam a alma, destroem o caráter. Com isso acontecido, um superpoder inexistente aparece com força na falsa sensação de domínio da verdade e o mais humilde dos homens, portador neste momento de raios cósmicos divinos, intitulasse Deus.
O Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva é um exemplo a não ser seguido. O afortunado representante de uma nação, não pode mostrar-se acima de tudo. Pelo contrário, o exemplo deveria ser dado. Tudo o que foi dito e esmiuçado a respeito do partido do presidente não foi e continua sem ser explicado. Após duríssimas críticas recebidas pelo não comparecimento aos debates de primeiro turno, Lula deu o ar da graça no primeiro debate televisivo deste segundo turno, a contragosto pelo que aparentou no vídeo, pelo motivo único de ser uma estupidez tamanha deixar seu espaço para um palanque do adversário. Se houvesse uma única saída para que o presidente se ausentasse desse “combate”, acredito eu, ele o teria feito.
O que acontece com as pessoas quando são colocadas à prova? Muitos enfrentam seus problemas com garra e coragem, alguns são cautelosos e preferem o diálogo, outros se escondem e não assumem a responsabilidade que tem. Cada um, cada um. Mas, quando um problema de dimensões nacionais estampa todas as páginas de todos os jornais do Brasil e são usados também pela imprensa estrangeira, algo imprescindivelmente precisa ser feito. Não queremos explicações do metalúrgico que baixou sua produção. Queremos uma explicação do representante máximo nacional pelos erros que são absolutamente da sua alçada.
Não acredito em pessoas indestrutíveis. Acredito em fortes armaduras. Tenho a certeza que a espessura da carapaça que o Presidente Lula se revestiu durante todo o processo de escândalos está muito comprometida. Mais cedo ou mais tarde, nosso Presidente precisa ceder. Ceder ao apelo da população por uma explicação contundente e honesta. É o mínimo que ele deve fazer para mostrar-se ainda digno de continuar na vida publica.
O homem que surgiu do povo e pelo povo chegou ao poder não existe mais. Este mesmo poder, que ele tanto quis para ajudar os mais sofridos deste país, deixou-o cego. A arrogância que antes não existia nele, agora reina soberana. Eu não conheço este homem. Não é o mesmo que perdeu as primeiras eleições que disputou, tampouco o homem que assumiu o Brasil há quatro anos atrás. Quem é esse novo Lula, que perdeu com os anos sua paixão pela moral e pelo social? Quem é esse presidente que está acima de tudo e todos?
A questão não é mais partidária ou ideológica. A pergunta que deveria ser respondida pelos dois candidatos à presidência nesse segundo turno deveria ser essa: Quem é mais importante, o senhor ou o Brasil? Lula nos responde essa pergunta todos os dias e reafirma sua resposta toda vez que não assume o óbvio.
Um presidente deve sim se julgar indestrutível. Indestrutível em seu caráter, em sua ética e principalmente em seu compromisso assumido com a população. Infelizmente, nesses pontos, Lula quebrou.

sexta-feira, setembro 22, 2006

O Brasil está em xeque


O país está em xeque. O momento é decisivo. Uma jogada errada fará com que todos percam. Fomos avisados. Todos os dias. Somos avisados. Todos os dias. Se ainda não sabe o que está acontecendo, abra o jornal de hoje e leia ao menos as manchetes. Uma quadrilha de proporções fantásticas enraizou-se nas entranhas de nosso Brasil e está sugando todo o elixir de esperança que sempre abasteceu os corações do povo brasileiro. O orgulho nacional foi atingido. É preciso um basta. É preciso que a corja que está no poder seja punida de maneira exemplar. O que acontece com esses políticos? Enganar e trair seu próprio povo é muita baixaria. É ausência de caráter. O dia da eleição é o momento do lance crucial. Pense muito bem antes de votar. Reflita.

quinta-feira, setembro 21, 2006

A indignação não existe mais.

Os acontecimentos da vida política nacional são tão escabrosos que estão fazendo com que a palavra indignação saia do vocabulário do brasileiro de maneira definitiva. Nunca mais nos indignaremos com nada. Aconteça o que acontecer, brasileiro agüenta, é forte e solidário a ponto de não questionar.O escândalo da vez – a venda de falsos dossiês – chegou apenas para dar o último aviso ao eleitor desavisado antes das eleições de primeiro de outubro. Aqueles, que dormiram no ponto, ignoraram o óbvio e desligaram o cérebro enquanto denúncia em cima de denúncia era apresentada, agora têm mais uma chance de enxergar o que está acontecendo em nosso país.Todos os veículos de comunicação mostraram em detalhes as falcatruas cometidas pelos envolvidos na podridão geral que assola o país. Algo aconteceu e está mais do que claro o que incomoda e que continua a acontecer, mesmo depois de tantos escândalos e acusações. Ninguém é afastado de um cargo por boatos, ainda mais quando a pessoa é forte dentro de seu partido. Pois bem. Assistimos a mais um afastamento no partido dos trabalhadores – Ricardo Berzoini – coordenador nacional da campanha do presidente Lula, além de ser, nada mais nada menos, o atual presidente do PT. Foi afastado pelas denúncias que recebeu a respeito do caso dossiê. Algo está estranho. Tem coisa muito errada nesse universo intocável. Outro alguém fez algo que não deveria ter feito e nessas horas o remédio que se mostrou eficaz para Lula se blindar dos escândalos anteriores – cortar na própria carne – mais uma vez está sendo usado.Perguntas feitas dia-a-dia são respondidas com respostas tão escorregadias que até para os maus entendedores o que foi mostrado bastou. Sei que têm algo errado, mas não ligo a mínima. É esse o pensamento geral. Os acusados não têm mais o que fazer, a não ser segurar as pontas, agarrar-se na máquina, apelar para o carisma e torcer para que o mês passe mais rápido para que dessa forma, o tempo de assimilação dessa nova presepada seja insuficiente e os índices das pesquisas não ocilem demais.
Não interessa de onde veio esse dinheiro, não vão falar, não vão provar a tempo. Sabemos de onde veio. Pagamos, todos nós, com nossos impostos por este dossiê – forjado ou não – não nos apresentaram comprovante de compra, muito menos pregaram um balancete de final de mês que até a mais vagabunda das empresas o faz. O Brasil é superior a tudo e a todos. A máquina do Estado trabalha ininterruptamente, mas nem sempre o resultado do trabalho dessa máquina está sendo utilizado para a melhoria de nosso país como comprovamos nessa gestão.
A reeleição desse partido será um marco em nossa história democrática recente. Um marco negativo é verdade, pois as eleições de 2006 serão lembradas pelos historiadores e estudiosos como o pleito que traduziu a corrupção deslavada em votos e o aval definitivo da população que liberou de maneira manipulada a impunidade partidária.
A consagração daqueles que trabalharam em cargos públicos de maneira egoísta e fizeram com que o país fosse visto com maus olhos pela opinião pública mundial pode ser premiada no primeiro dia do mês de outubro com seu voto. O conformismo crônico é uma doença que se mostrou sem cura. A blindagem carismática mostrou-se mais forte que muitos supunham. As portas do vale tudo estão escancaradas para os próximos golpistas que quiserem entrar e se sentirem bem vindos.

terça-feira, setembro 12, 2006

Corrupto é bandido e ponto.

Quanta bobagem será que eu agüento escutar sem gritar? Boa pergunta. Não estou muito certo da resposta, mas sinto que estou próximo de explodir.
Assisto a TV e fico perplexo. Sem falar na vontade de morrer toda vez que leio os jornais. As coisas que vejo e leio não podem ser reais. Os canalhas que tanto mal fizeram ao país não podem ser tão maldosos a ponto de novamente disputarem uma eleição para outra vez enganar o povo. Pesquisas me mostram que meu voto de nada adiantará, pois o futuro já está escrito. Quatro anos mais dessa pouca vergonha teremos que engolir. O problema está no didatismo. Explico. O brasileiro não está acostumado com interpretações de textos, leva tempo, é complicado. Os termos muitas vezes não são usuais e muitas das verdades ditas não são assimiladas. É preciso ser mais prático, ou melhor, mais didático. Senão, corre-se o risco de acontecer o que parece inevitável – a reeleição desse presidente e desses gatunos que querem voltar à política nacional.
Pingo por pingo em todos os “is” precisam ser postos. Caixa dois não é linguagem que se usa para ser entendido, assim fica difícil, mas fazer o quê? Sanguessuga e mensalão já encheram tanto que está mais do que passada a hora de virarem nomes de músicas de funk. Virou chacota. Dólar na cueca e paraíso fiscal são fictícios que não mostram nada. O povo reconhece melhor se a expressão bem brasileira “meteu a mão” for usada. Corrupto é ladrão. Foi cassado, pois fez o que não devia, enganou a população.
É impressionante o tamanho da exposição que esse lamaçal teve e de nada teve efeito. De que valeram os quilômetros de linhas escritas e as várias horas de imagens exibidas se o cenário atual nos mostra que o partido dos trambiqueiros leva essa enorme vantagem sobre todos os demais partidos somados. É por isso que proponho uma campanha de elucidação do ocorrido. Musiquetas e frases de votem não de nada adiantarão. O que precisa ser feito é o seguinte: cada qual com seu crime deveria ser relacionado e os “assaltos” contra a população devem ser todos explicados, sem textos difíceis e sem nomenclaturas técnicas. Fica bem mais fácil se for feito assim: deputado X roubou dinheiro público, deputado Y mentiu e se aproveitou de seu cargo para tirar proveito, ministro Z ficou rico às nossas custas e o Presidente L sabia de tudo sim e nada fez.
Não podemos nos esquecer que nem tudo foi mostrado. O que foi dito até agora foi apenas o denunciado e apurado pelas comissões, que, aliás, são compostas por membros dos partidos envolvidos. Observamos calados as notícias do pífio crescimento que nossa economia teve e assistimos passivos o repasse de nossos impostos a juros bancários, o que impede o desenvolvimento das áreas que mais necessitam de força em nosso país, tais como, saúde, educação e infra-estrutura.
O poder que o povo concede a um partido que oferecia a esperança ao mais fraco faz com que o pobre dia a dia se torne mais dependente e escravo desse sistema que alimenta apenas suas ramificações. Enganar o povo foi mais fácil do que era previsto, pois a receita era óbvia demais e o sucesso foi implementá-la aos poucos. Oferecer o mínimo aos que nada têm foi o caminho para o poder. Agora com a máquina em mãos, a perpetuação fica muito mais fácil.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Velhos jornais e futuro

Encontrei um passatempo diferente esta semana. Recordar. Estou remexendo os velhos jornais à procura de velhas notícias. Não tenho um arquivo muito grande, teria acesso se isso eu quisesse, mas não é o caso. Dois anos me bastam. O que me interessa está impresso em um passado muito recente.
Encontrei muita coisa nas capas dos velhos jornais. A maioria eu já havia lido, como o casamento que não deu certo de Ronaldo e os preparativos da seleção brasileira para o hexacampeonato. Ainda no esporte, não certo da porcentagem exata, acredito que a maioria absoluta das páginas, o São Paulo F.C reinou soberano em suas conquistas. Muita gente morreu – de velhice e de bala no peito. Guerras estampavam as capas, ditadores eram presos, inocentes assassinados.
No cenário político brasileiro, aconteceu tanta denúncia que é difícil catalogar, mas estou tentando. Explodiu a bomba sobre os escândalos do mensalão, que foi a compra de votos dos parlamentares, a corrupção na área da saúde, o caso das sanguessugas, os dólares pagos em paraísos fiscais ao publicitário Duda Mendonça, dólares na cueca, os pagamentos não autorizados de Paulo Okamotto, sem esquecer dos investimentos da Telemar na empresa de Fábio Luís Lula da Silva, - o Lulinha. Parlamentares de vários partidos foram envolvidos em muitas dessas acusações. CPI's foram pedidas com a intenção de encontrar e punir os envolvidos. Alguns foram cassados, outros renunciaram. As campanhas eleitorais desse ano nos ajudam a lembrar das caras dos envolvidos, pois eles estão querendo voltar. Ou, melhor dizendo, continuar o que nunca deixaram de fazer – enganar o povo e enriquecer às custas do país.
É coisa demais para ter ficado somente na capa dos jornais passados. É sujeira demais para se esquecer. Eu até posso tentar deixar de lado parte dessas denúncias, mas não consigo. É impossível. O conjunto da obra é fundamental. Falcatruas e canalhices não podem passar em branco, ainda mais quando a continuidade do processo está em jogo com o ano eleitoral.
Confesso que eu estava um tanto ansioso para o início da campanha deste ano. Não por eu ser daqueles que gostam de "barracos" eleitorais ou showmícios de escândalos. Estava ansioso sim, mas pelas explicações e pelas propostas. Inocente, eu acreditava que para seguir em frente, a frase pronta que caiu como uma luva nas mãos do presidente, "eu não sabia", ficaria para trás e ele, como governante da nação que vem mais uma vez pedir votos para a reeleição, explicaria o que não tem explicação. Não aconteceu. A situação é cômoda e permite o distanciamento. Os cofres estão cheios para comandar da forma que bem interessar as reformas necessárias à perpetuação. As pesquisas, encomendadas ou não, fornecem o mais favorável dos dados, além de mostrar aquilo que parece inadmissível – os eleitores estão desinteressados com a campanha deste ano. O cenário é o mais belo cartão postal, que os adversários ao que me parece, não estão dispostos a estragar. Não agora. Não compensa.
Hoje, as coisas estão desse jeito. Talvez estejam assim de forma premeditada. Mais quatro anos dessa continuação pregaria o final desse partido. É justo esperar este período, o prêmio é grande. Isso é o que acreditam os adversários, ao analisarem a falta de um substituto para a última pilastra sólida que resta a este condenado partido – o presidente. Talvez, em um futuro não muito distante, ao abrir um jornal, encontremos um cronista que comece seu texto da seguinte forma: "Era uma vez, um partido que era regido por um estrela, mas esta se apagou ..."

sexta-feira, agosto 18, 2006

Com defeito eu não compro

Não quero comprar nada. Vendedores de todas as áreas e todos os ramos não percam seu tempo oferecendo-me qualquer um de seus produtos. Não quero, não preciso. Muito obrigado.
Operadores de telemarketing são treinados em diferentes níveis para que aprendam a vender o desnecessário. Campanhas publicitárias são criadas e aperfeiçoadas para buscar novos consumidores. Slogans e dingles entram na nossa mente e desapercebidos nos vemos cantando a ordem de compra subtendida.
Ligo a televisão e vejo, no rádio eu escuto, no jornal e na internet eu leio, pode esperar que sempre vão estar lá, as imperdíveis promoções de produtos que não vão mudar a minha vida.
É assim todos os dias, todos os anos. O que muda é o produto.
Começou a exposição de novos e velhos "produtos" que, esses sim, mudarão nossas vidas – para melhor ou pior. Ano eleitoral é assim, um show de performances ensaiadas, terinadas a exaustão e executadas com louvores. Os candidatos estão na mídia em plena atividade circense. Cada um deles, cercados de seus amigos marketeiros tentam vender seu peixe mais uma vez, que no caso é ele mesmo quem está a venda pelo valor de seu voto.
Tem gente que pede desculpas em cadeia nacional pelos erros cometidos na gestão passada. Como errar é humano e pedir desculpas é fácil, por quê não tentar de novo? Fazem isso da mesma forma que uma empresa faz quando comete um erro ou engano – vão aos meios de comunicação e dizem que não vai mais acontecer. Pura canalhice. O que eles não entendem é que, enganar o eleitor que depositou sua confiança e seu voto na esperança de que o país prosperasse e ao invés disso receberam perplexos as manchetes de corrupção, é muito mais grave que um problema técnico apresentado por um carro. Usar um cargo público para obter vantagens pessoais e com isso avacalhar a imagem do Brasil é muito mais sério que uma TV que distorce a imagem. Quem rouba deveria ir para a cadeia, mas quem rouba, engana, passa por cima de interesses coletivos para benefício próprio, trai uma nação toda, estes, deveriam queimar no inferno. Mas, como a memória da população é dita curta e o salário é bom, eles vão tentar a mamata dos proventos e da impunidade novamente.
Parece mentira. Antes fosse. Os mesmos envolvidos nos escândalos que abalaram o país estão em plena campanha. Aqueles mesmos que foram mostrados por todos os ângulos, em todos os canais e em todas as capas de jornais desse país. Condenados pelas CPI’s e pela opinião pública, eles voltaram. Lembram dos que renunciaram? Pois é, também estão de volta. E dos velhos ladrões assumidos, você lembra? Estão em campo, pode procurar. "Votem em mim, que eu não farei mais nada de errado. As pessoas cometem erros e estou arrependido." – é o que estão dizendo. Será? Eu não acredito.
Comecei escrevendo este artigo afirmando que eu não quero comprar nada. É verdade. Não tenho a intuito de comprar nem uma tampinha de refrigerante. Marqueteiros, obrigado. Não quero seus produtos. Não vou comprar um candidato confirmadamente corrupto. Não compro de jeito nenhum. Pode barganhar. Pode bombardear minha cabeça com os mais elaborados discursos e frases feitas que eu não caio nessa. Sorrir nos mais diferentes ângulos e prometer maravilhas não vai mudar minha opinião. Prometam o que quiserem. Mesmo se for verdade o que dizem – estarem arrependidos – EU NÃO COMPRO.
Candidato com defeito eu não quero. Meu voto vale muito e preciso ser sábio na escolha que farei na hora de gastá-lo.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Uma Homenagem e nada mais

As datas comemorativas são tratadas pela indústria e pelo comércio como uma possibilidade real de aumentar as vendas e assim fazer crescer o faturamento. Campanhas publicitárias nos lembram a cada minuto na TV, a cada página virada do jornal, em todos os clicks pela Internet que mais um dia especial está chegando e assim nos oferecem as mais diversas possibilidades de presentes.
Pois bem. A bola da vez são os pais. Aquele mesmo que aparece sorrindo nos comerciais, abraçando seu garotão por ter ganho um novo celular. Ou aquele outro que feliz da vida com sua nova furadeira elétrica, distribuí beijos em sua filhinha. Sem falar naquele outro que com lágrimas nos olhos, esquece das palavras e não consegue agradecer o novo terno. Imagens e mais imagens incentivando o consumo. Propagandas que visam sensibilizar os filhos, como se houvesse a necessidade do presente para que o pai lhe gostasse um pouco mais.
O motivo do artigo é homenagear os pais e não criticar o consumismo. O que escrevi nas linhas acima foi somente para lembrar que cada pai desse Brasil merece um forte abraço no seu dia. Com ou sem presente, o dia por si só já é especial.
O pai é para a criança o exemplo, para o jovem o abrigo e para a esposa o eterno companheiro. A obrigação do chefe de família vai além do sustento, ultrapassa os limites do dinheiro e se solidifica nos alicerces da proteção. Acordar de noite com o som do bebê chorando e meio sem jeito cantar uma canção que por si só acalma a criança – isso é ser pai. Receber uma ligação no meio da noite e sair debaixo de chuva para buscar o filho na casa de amigos é tarefa para poucos, mas nunca negada pelo verdadeiro pai. Chegar cansado do trabalho e pacientemente ensinar a difícil matemática de sua filhinha é coisa de pai. Enfrentar horas e horas de fila e sol quente, em dia de jogo, só porque o caçula resolveu que queria ir ao parque de diversões é motivo de sobra para reafirmar o cargo de super paisão.
Pai joga bola, leva na escola, solta pipa, compra figurinha, leva no estádio, brinca de cavalinho, joga amarelinha, deixa dormir junto, assina a agenda, monta quebra-cabeças, participa de gincanas, conta histórias, vibra, torce e chora pelo filho e pela filha em todas as oportunidades. O mais simples dos feitos realizado pelo Junior ou pela Pequena é motivo de orgulho e comentários inflamados do pai coruja.
Exemplos de fatos e feitos realizados pelos grandes heróis da criançada são tantos que não existe a menor possibilidade de tentar enumerá-los, no entanto, podemos fazer uma busca rápida pela memória e lembrar de algo maravilhoso que nossos pais já fizeram por nós.
Os filhos crescem e de uma maneira ou de outra, a proximidade com os pais se altera. Seja por conveniências da profissão, seja por motivo de estudo ou pela continuação natural do ciclo – o casamento. Existem também aqueles que voltam. Por um motivo qualquer, ou por peças pregadas pela vida, muitos filhos e filhas voltam para o mais seguro de todos os portos do mundo, a casa do papai.
Se você tem pai, aproveite cada minuto que puder ao lado dele, crie lembranças que farão diferença um dia em sua vida. Se não tem, lembre-se de como ele era, busque no coração os melhores momentos que tiveram juntos e celebre este dia como se ele estivesse com você.
Por todos os minutos e segundos de dedicação que cada pai desse mundo dedicou ao seu filho, ele merece uma homenagem. Merece o mais sincero dos abraços e o mais terno dos beijos. Que este Dia dos Pais seja tão especial para você papai, como tu és para seus filhos.
Diante de tanta coisa ruim que vemos, ouvimos e lemos todos os dias, desejo um domingo de paz e alegrias para todos os pais e todas as pessoas desse Brasil.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Uma rotina de marcas

São 8:00h da manhã. O rádio relógio da Panasonic já cansado de tocar espera para ser desligado. Sonolento, me vejo no espelho do banheiro tateando sobre a pia o creme dental Colgate e minha escova de dente elétrica da GE. Com pouca vontade, uso o fio dental Oral B e por último, refresco o hálito com o enxaguante bucal Listerine.
Já vestido com meu jeans velho de guerra da Levis, procuro no guarda roupas minha camisa Calvin Klein. Com os cadarços de meu sapato Samelo ainda desamarrados, chego na cozinha onde abro minha geladeira Brastemp e pego o leite Parmalat que vai dar vida ao crocante sucrilhos Kellogs. Um sanduíche de presunto e queijo sai quentinho da lancheira Arno e meu iogurte Nestlé finaliza meu desjejum.
Ainda mastigando entro na garagem que, entre um Pegeout e um Fiat, reina soberano o “mais querido do Brasil”, o Gol da alemã Volkswagem. O pneu Goodyear da frente de meu carro já aponta os sinais da alta quilometragem e se mostra mais careca do que o devido.
Rotina. O trânsito é o mesmo todos os dias, carros e mais carros das mais diferentes montadoras se acumulam nas avenidas da cidade. Pela janela, enxergo um outdoor que mostra uma bela moça matando a sede com Gatorade. Enquanto espero o fluxo, meu celular Samsung toca e do outro lado da ligação, meu chefe me avisa daquilo que já sei – estou atrasado.
Faço o possível e o impossível para não cometer nenhuma infração e chegar o mais rápido que posso ao escritório. Mas, o não esperado acontece: fico sem gasolina. Sorte a minha que a poucos metros encontro um posto Esso e sem mais delongas, finalmente chego ao trabalho.
Recebo uma advertência pelo atraso e com meu humor, a esta hora já bastante alterado, sento em minha cadeira e ligo o monitor LG. O computador IBM com processador Pentium demora alguns instantes para iniciar, até que a tela azul do Windows me convida a começar o que já devia estar adiantado – meu trabalho.
As pessoas em minha volta em situações não muito diferentes que a minha, correm contra o tempo para que tudo termine no prazo. Por um breve instante, olho para o chão e com uma rápida busca pelo recinto, vejo pés calçando tênis dos mais diferentes fabricantes: Nike, Adidas, Puma e por aí vai.
O tempo passa. O telefone Siemens toca sem parar. A impressora HP descarrega ininterrupta, folhas e mais folhas impressas. Noto por um momento a quantidade de caixas de papel Chamex Office que foram usadas no dia.
Estico os braços, alongo o corpo. Consulto meu relógio Timex de pulso e fico feliz, pois ele está marcando exatamente o que meu organismo me alertara – hora do almoço.
Sozinho, caminho menos de uma quadra e entro no Mac Donalds. Comida rápida que facilita a minha escolha pela mesmice dos sabores – qualquer número serve. Satisfeito? Ao menos parece. Hora de voltar para minha mesa. Termino o que restava do meu “balde” de Coca-Cola e, outra vez estou diante do meu companheiro teclado Dr. Hank.
A parte da tarde passa sempre mais devagar. Se ao menos eu ganhasse o suficiente para comprar um Ipod da Mac, o som relaxante do Pink Floyd me ajudaria em minha empreitada.
Fim do dia. Já é hora de voltar para casa. Mal vejo a hora de me esticar em minha confortável poltrona, ligar a TV Philips, colocar um DVD que aluguei na Blockbuster, no aparelho da Sony e aproveitar o que me resta do dia, saboreando o inigualável Jack Daniels beliscando uma deliciosa batatinha Pringles.
Pois é, caro leitor, notou algo peculiar neste artigo? Percebeu como podemos excluir totalmente de nossa rotina, as marcas nacionais. Algo está errado. Não acha?

segunda-feira, julho 31, 2006

Prevendo o Futuro

Eu vejo o futuro. Todos os dias, em todos os lugares, em tudo que me rodeia, eu vejo as coisas em constante mudança. Não só coisas mudam, as pessoas e seus comportamentos também.
Passeando pelas ruas da cidade, vejo coisas que me fazem pensar. Novos carros, com novos acessórios, novos equipamentos e novas formas tomam conta da cidade. Crianças brincam com armas espaciais e se comunicam com seus modernos celulares que de tão sofisticados não faltam nem falar. Os bichinhos de estimação são levados a caríssimos tratamentos que do básico só nos resta a lembrança das tosas e banhos. No supermercado, circulando desapercebido pelas prateleiras de vinhos, uma voz suave emitida por um mini plasma sugere a você a escolha de um Cabernet para saborear o inverno degustando um bom queijo. As antigas promoções publicitárias que antes convidavam o consumidor ao sorteio que se dava pelo envio de cartas, nos tempos da modernidade fornecem agora, um número para o qual um “torpedo” deve ser enviado pelo celular para que se concorra a grandes prêmios. Era realidade até pouco tempo a ansiedade da espera pela revelação de uma foto, a surpresa se a pose tinha saído boa, ou se a luz havia preenchido legal o enquadramento. Passado. Hoje as novíssimas câmeras digitais nos mostram na hora o que foi fotografado e podemos corrigir o erro ali mesmo.
A gama de transformações é tão grande e os indícios de novos tempos são tantos que eu poderia encher tantas linhas quanto forem necessárias e sempre seriam insuficientes para detalhar exatamente as mudanças.
Pesquisas são mais do que necessárias nos dias de hoje. Adiantar o futuro é mais que uma meta, é uma obrigação daqueles que querem ser maiores do que os outros. Estou falando das grandes empresas que gastam milhões e milhões em pesquisa de novas tecnologias e usam os artifícios que se mostrarem necessários para atrair os jovens talentos de suas universidades para seus laboratórios. Ganha mais aquele que investe mais em talentos.
Abrindo um pouco o horizonte, passando as barreiras físicas das multinacionais, vemos a mesma iniciativa nos países desenvolvidos. Gigantes econômicos investem pesado em pesquisa e fazem da maneira correta, ou seja, começam pela educação de base. Podemos acompanhar pelos jornais, o empenho que a China está tendo em educação para que num futuro próximo comece a ditar as tendências mundiais.
Agora eu pergunto: E o Brasil? Até quando o assunto educação vai ser tratado em segundo plano em nosso país? Com tanto potencial é inadmissível que estejamos tão atrasados em relação ao resto do mundo. As proporções de gigante territorial deveriam ser mais que suficientes para que nossos governantes pautassem os seus compromissos para discutir a fundo o tema. O Brasil precisa correr contra o tempo e começar a investir pesado em educação de base pra não ser um eterno importador de tecnologia. Precisa incentivar que a criança fique na escola. Tem a obrigação de dar suporte e estrutura para a formação de bons educadores e com isso a proliferação de bons alunos seria inevitável.
É preciso crescer e para crescer é necessário educar. O problema da educação, que existe em nosso país, se resolvido, contribuiria, e muito, para a amenização de tantos outros problemas que nossa população sofre. Um país para ser forte precisa ter bases. Escola de qualidade é o primeiro passo para ser grande. Educar para ser respeitado. Educar para ditar as novas leis. Educar para firmar de vez o orgulho de ser brasileiro. Assim, em um futuro próximo, o Brasil passaria de importador de tecnologia para a condição de pólo do conhecimento.